terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Música para ler

 por Solange Fonzar, colunista ONNE

Confira as biografias dos dinossauros do pop e do rock para presentear neste Natal*

*Este post foi publicado originalmente no MSN ONNE - estilo de vida


Chega o fim do ano e a história se repete: amigo secreto/oculto na empresa, festinha de confraternização e a dúvida sobre qual presente escolher. Todo mundo já sabe que presente pessoal demais é proibido (perfume, maquiagem, roupas íntimas, etc). Mas se o seu amigo secreto gosta de música, dar um livro – mesmo que ele não seja um fã de literatura – pode ser uma boa opção. Para não errar e dar um CD repetido, dar uma biografia do ídolo preferido, com fotos e curiosidades da banda ou do cantor é uma boa pedida. Música e livros se complementam, são apaixonantes e todo mundo adora saber um pouco mais sobre o que ouve e principalmente sobre quem toca ou canta. Descubra o gosto musical de seu amigo e confira as sugestões que separamos para você presentear. Você vai acertar de qualquer modo: para quem já gosta de ler vai ser um prazer, para quem não gosta será um convite para entrar no mundo dos livros.
               
(Foto: Divulgação)

Rolling Stones – O Começo

Autor: Bill Wyman, Bent Rej
Este livro apresenta, pela primeira vez, uma coletânea incomparável de mais de 300 fotos dos Rolling Stones em meados da década de 1960, período em que estavam começando a alcançar o estrelato. Estas raras imagens, tanto da intimidade da banda, como de apresentações ao vivo, são verdadeiros ícones de uma era.
              
(Foto: Divulgação)

Can't Buy Me Love – Os Beatles, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos
Autor:
Jonathan Gould
Além de fenômeno musical, os Beatles se transformaram em assunto inesgotável. Centenas de livros, artigos e matérias já foram publicados sobre eles, mas Cant Buy me Love se destaca não por ser um relato sobre a carreira dos Beatles, mas principalmente sobre os acontecimentos históricos que influenciaram o grupo que até hoje simboliza uma geração. A combinação que o autor faz, entrelaçando biografia, história cultural e crítica musical, apresenta uma análise definitiva de como o grupo se tornou um fenômeno internacional, podendo ser comparado apenas a eles mesmos. 
        
(Foto: Divulgação)

Led Zeppelin – Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra
Autor:
Mick Wall
Quarenta anos após sua formação, em um porão imundo da Chinatown de Londres, surge a primeira biografia realmente definitiva de um dos grupos de rock mais famosos do mundo – o Led Zeppelin. Eles foram o último grande grupo da década de 1960; o primeiro da década de 1970. Surgiram das cinzas dos Yardbirds para se tornar um dos grupos de rock de maior vendagem de todos os tempos. Mick Wall, respeitado jornalista musical, conta a história do grupo que escreveu o manual do excesso na estrada – e acabou pagando por ele o preço do desastre, e da dependência de drogas e da morte.
              
(Foto: Divulgação)

A História da banda AC/DC – Let be Rock
Autor:
Susan Masino
A história do AC/DC – Let there be rock. A obra é escrita pela jornalista Susan Masino, que conheceu a banda durante a turnê de 1977. O livro, que foi sucesso na Europa e Estados Unidos, traça a história da banda, desde seus primórdios, em Sydney, Austrália, no início dos anos 1970, além de detalhes como a trágica morte do vocalista Bom Scott, em 1980. A autora também conta como foi a escolha do novo front man, Brian Johnson, e os bastidores do álbum divisor de águas da história do rock, Black in Black, o 2º álbum mais vendido da história. Essa é a primeira vez que um livro sobre a banda é traduzido para o português. 
            
(Foto: Divulgação)

Madonna – 50 Anos
Autor:
Lucy O'Brien
Esta biografia finalmente revela todo o mistério em torno de Madonna. De autoria da britânica Lucy O´Brien, fã da cantora desde 1985, esta biografia explora a personalidade e a carreira da mais famosa artista pop do nosso tempo. Escrito a partir de pesquisas e entrevistas com produtores, músicos, amantes, familiares e amigos - muitos dos quais nunca falaram tão abertamente sobre a fascinante vida de Madonna - este livro traz histórias da vida pessoal de Madonna, como detalhes das relações com vários namorados, ou as situações que envolveram o nascimento de seus filhos. 

       
(Foto: Divulgação)

Michael Jackson – 50 Anos do Ícone do Pop
Autor:
Jonathan Crociatti
Apenas um mês após a morte que abalou o mundo, chegou às livrarias um tributo a Michael Jackson, o rei do pop. Jonathan Crociatti, um dos maiores representantes dos fãs de Michael Jackson no Brasil, foi o responsável pela organização do material que compõe o projeto. O livro reúne textos biográficos e uma ampla pesquisa de imagens que retratam a carreira de meio século do Rei do Pop. A obra inédita traz mais de 150 imagens, curiosidades, cinco de suas raras entrevistas na íntegra, comentários sobre clipes, discografia e mais.
       

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

História mundial



Conheça alguns dos mais curiosos e leves livros de história

Para quem gosta de história, mas não quer livros densos e muito aprofundados sobre o assunto - aqueles com cara de livro didático, que traumatizou muita gente na escola - existem boas opções hoje nas livrarias. Estes não são somente para estudiosos ou estudantes, mas para todos que querem conhecer um pouco da história do mundo em que vivemos.
São livros escritos de forma leve, instigante, resumida, agradável, e até mesmo engraçada. Sem análises críticas ou novas descobertas, essas obras utilizam uma linguagem de fácil compreensão a todos. Despretensiosos, e talvez por isso façam sucesso, informam, aguçam a curiosidade e muitas vezes até despertam o interesse para outros livros mais abrangentes ou específicos. Confira a seleção do ONNE com alguns dos mais curiosos livros de história.
     
(Capa: Divulgação)
 
Uma Breve História do Mundo
Autor: Geofrey Blaney
Em Uma Breve História do Mundo, o autor faz um balanço da fantástica saga da humanidade, narrada desde seus primórdios até os frenéticos dias em que vivemos. Sem jamais perder o foco, Blainey vai mais além: descreve a geografia das civilizações e analisa o legado de seus povos. O leitor deve se preparar para uma viagem inesquecível: saberá como eram as noites dos primeiros nômades; testemunhará o surgimento das religiões; questionará a carnificina das guerras e acompanhará a ascensão e queda dos grandes impérios. Uma Breve História do Mundo vai entrelaçando a história de um povo a outro, de forma didática e vibrante. 
     
(Capa: Divulgação)
 
1001 Dias que Abalaram o Mundo
Autor: Michael Wood, Peter Furtado
Do Big Bang à recente eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos - passando por catástrofes naturais, descobertas científicas, escândalos políticos, conquistas sociais, revoluções, guerras e movimentos culturais -, 1001 dias que abalaram o mundo conta a história da humanidade através de 1001 momentos-chave causados pelas mãos do homem ou pela ação implacável da natureza.Organizado pelo historiador Peter Furtado e escrito por um time internacional de historiadores, jornalistas e cientistas, este livro é indispensável para qualquer pessoa que queira conhecer e compreender melhor o mundo em que vivemos.
   
(Capa: Divulgação)
 
Uma Breve História do Século XX
Autor: Geoffrey BlaineyMais uma vez, o autor de Uma Breve História do Mundo, Geoffrey Blainey, surpreende os leitores. Em Uma Breve História do Século XX, você vai se surpreender com uma descrição vibrante e apaixonada dos cem anos mais fascinantes da história. As duas maiores guerras, a ascensão e queda dos regimes comunistas, o maior colapso econômico já vivido, o declínio das monarquias e dos grandes impérios da Europa - tudo isso com emoção e intensidade. Nessa fantástica viagem, cada fato é exibido com exatidão e sagacidade. E cada triunfo é revelado com dinamismo e entusiasmo, como em um emocionante filme sobre o nosso passado. Um livro essencial para compreender os acontecimentos que nos trouxeram aos dias de hoje!
             
(Capa: Divulgação)
 
1808
Autor: Laurentino Gomes
A fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleônicas, revoluções republicanas, escravidão formaram o caldo no qual se deu a mudança da corte portuguesa e sua instalação no Brasil. O propósito deste maravilhoso livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte lusitana no Brasil e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam duzentos anos atrás. Escrita por um dos mais influentes jornalistas da atualidade, 1808 é o relato real e definitivo sobre um dos principais momentos da história brasileira.

SERVIÇO

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Eternamente Jovens e Imortais


Para entender
O VAMPIRO ANTES DE DRÁCULA
O VAMPIRO ANTES DE DRÁCULA
HUMBERTO MOURA / MARTHA ARGEL
Além da extensa pesquisa empreendida pelos organizadores, o livro traz uma criteriosa seleção de contos do século XIX: começando com O Vampiro, de John Polidori (1819)...
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Por: R$ 46,00
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UNIVERSO DOS VAMPIROS
UNIVERSO DOS VAMPIROS
JONATHAN MABERRY
Eles invadem seus pesadelos e assombram suas horas insones. Esses seres são os nosferatu, os lobisomens, os demônios e os mortos-vivos que estão à espreita na escuridão. O mestre do medo, Jonathan Maberry, ...
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Por: R$ 44,90
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SOCIEDADES SECRETAS VAMPIROS
SOCIEDADES SECRETAS VAMPIROS
MICHELLE BELANGER
Através de Buffy, Blade, Drácula e Lestat, a maioria dos leitores modernos está familiarizada com o vampiro com um ser ficcional. Na tradição, retratados como mortos vivos que ...
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Por: R$ 29,95
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Os nacionais:
O VAMPIRO ANTES DE DRÁCULA
BOX - SETE E SÉTIMO
ANDRE VIANCO
Os sete: Uma caravela lusitana de cinco séculos é resgatada de um naufrágio na costa brasileira. Dentro dela, uma caixa de prata misteriosa oculta um segredo: sete cadáveres capturados, acusados de bruxaria...
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Por: R$ 69,90
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ALMA E SANGUE
ALMA E SANGUE
NAZARETHE FONSECA
Kara Ramos é uma jovem restauradora, determinada e espirituosa, que aceita o desafio de reformar um casarão abandonado na cidade de São Luís, no Maranhão. Porém, o que ela jamais poderia imaginar era encontrar adormecida no sótão uma criatura com...
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Por: R$ 46,00
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BOX - BENTO, VAMPIRO REI 1 E VAMPIRO REI 2
BOX - BENTO, VAMPIRO REI 1 E VAMPIRO REI 2
ANDRE VIANCO
O Vampiro-Rei Vol.1: Lúcio, o escravo de Cantarzo, carrega seu mestre vampiro numa caixa de madeira. Sua missão é levá-lo até Tereza, uma bruxa que vive ao norte do Brasil, e fará com que Cantarzo desperte se...
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Por: R$ 99,90
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Os estrangeiros:
DRÁCULA
DRÁCULA
BRAM SOTCKER
O verdadeiro Drácula nasceu na Idade Média. Sua vida se passou em castelos, prisões e guerras. É um típico representante da sociedade medieval. Neste romance, a morte está mais viva do que nunca. Pela arte de Bram Stoker, esta narrativa...
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CREPÚSCULO
CREPÚSCULO
STEPHENIE MEYER
Crepúsculo marca a estréia da americana Stephenie Meyer na literatura como um fenômeno do mercado editorial. Ela assina uma saga de quatro livros que se tornou uma febre ao vender mais de 5 milhões de exemplares em todo o mundo. Publicado...
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DIÁRIOS DO VAMPIRO
DIÁRIOS DO VAMPIRO
L. J. SMITH
Antes de Crepúsculo, um triângulo amoroso entre dois vampiros e uma bela jovem conquistou uma enorme legião de leitores. O DESPERTAR, primeiro volume da série de L. J. Smith lançado...
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NOTURNO
NOTURNO
CHUCK HOGAN / GUILHERMO DEL TORO
Nova York, aeroporto JFK. O Boeeing 777 da Regis Airlines, vindo de Berlim, aterrissa na hora prevista. Subitamente, na pista de pouso, seu motor pára. As janelas se fecham. As luzes se apagam. Os canais...
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MARCADA
MARCADA
KRISTIN CAST / P. C. CAST
Os vampiros nunca estiveram tão em alta, e chega ao Brasil, por meio da Editora Novo Século, a série The House of Night, um dos maiores sucessos da atualidade nos Estados Unidos e no mundo. A série já é bestseller no...
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VAMPIROS EM DALLAS
VAMPIROS EM DALLAS
CHARLAINE HARRIS
A saga mostra o momento em que os vampiros se revelam para a sociedade, após o lançamento de um sangue falso, vendido em bares e supermercados, o que propicia que eles não precisem mais morder...
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Para crianças:
VAMPYRO
VAMPYRO
CORNELIUS VAN HELSING
Gustav Wolff, assistente do Doutor Cornélius Wanhelsing - o famoso caçador de vampiros – morreu aos 63 anos enquanto explorava as cavernas nas montanhas de Cárpatos, na Romênia. Seu único filho, Marcus, torna-se herdeiro da casa e da...
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PEQUENO VAMPIRO VAI À ESCOLA
PEQUENO VAMPIRO VAI À ESCOLA
JOANN SFAR
O Pequeno Vampiro convence seus pais de que ir à escola é legal - mas ele tem que ir à noite, quando não há humanos, pois não pode ser descoberto! Michel, menino que desconfia da presença do sobrenatural na escola...
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O PEQUENO VAMPIRO
O PEQUENO VAMPIRO
ANGELA SOMMER-BODENBURG
Anton adora ler histórias de terror, principalmente de vampiros, aqueles seres terríveis, com dentes enormes e afiados. Mas Anton nunca tinha ouvido falar de um vampiro...
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Por: R$ 27,00
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Religião

por Solange Fonzar, colunista ONNE

Robert Crumb e José Saramago fazem releituras do Velho Testamento*

*Este post foi publicado originalmente no MSN ONNE - estilo de vida



Foram lançados, no mês de outubro, dois livros que tratam do mesmo tema: O Antigo Testamento. De autores distintos, com quase nada em comum, os lançamentos abriram uma vasta discussão sobre religião. Qualquer que seja a visão dos autores, a Bíblia é um livro aberto para várias interpretações e reflexões e leituras novas sempre geram questionamentos e debates.
O livro Caim, de José Saramago, mal foi para as livrarias e já é alvo de várias críticas. Não é a primeira vez que isso acontece, o mesmo ocorreu com O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), romance em que o autor mostra um Cristo bastante humano, e foi alvo de muitas acusações. Saramago, o primeiro prêmio Nobel de Literatura da língua portuguesa (1998), é ateu mas admite que Deus é um tema que o atrai. Declarou no lançamento de Caim, que sem a Bíblia seríamos pessoas melhores. As opiniões do escritor sobre religião e política são muito polêmicas e ele já recebeu acusações de vários segmentos.
Mais reservado, Robert Crumb afirma que em seu novo livro, Gênesis, manteve palavra por palavra do antigo testamento. Só ilustrou. Ele nem precisa ser polêmico para gerar curiosidade. Crumb é ilustrador, um dos fundadores do movimento underground dos quadrinhos e "pai" de Mr. Natural – personagem sátira dos gurus espirituais da década de 1960 – e de Fritz the Cat – personagem com aparência antropomórfica, que abusa do sexo e das drogas. Começou sua carreira ilustrando a Zap Comix, uma revista artesanal dos anos sessenta parecida com o fanzine de hoje. O artista não nega Deus, acredita em algo superior, mas não acha que a Bíblia sirva como um manual de boa conduta. Pediu para colocar um aviso na capa do livro: Recomendada a supervisão de um adulto para crianças. O livro não é um gibi.

(Capa: Divulgação)

Autor: José Saramago
Neste novo romance, José Saramago reconta episódios bíblicos do Velho Testamento sob o ponto de vista de Caim, que, depois de assassinar seu irmão Abel, trava um incomum acordo com Deus e parte numa jornada que o levará do jardim do Éden aos mais recônditos confins da criação. Conforme o leitor acompanha uma guerra secular, e involuntária, entre criador e criatura, Saramago percorre cidades decadentes, estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha. No trajeto, a narrativa passa por episódios bíblicos conhecidos, mas sob uma perspectiva inteiramente diferente. Saramago recria também seus principais protagonistas, dando a eles uma roupagem complexa e irônica. A volta aos temas religiosos serve, também, para destacar o que há de moderno e surpreendente na prosa do autor: aqui, a capacidade de tornar nova uma história que conhecemos de cabo a rabo, revelando com mordacidade o que se esconde nas frestas das antigas lendas.


(Capa: Divulgação)

Autor: Robert Crumb
Ao longo dos séculos, diversos grandes artistas se dedicaram a ilustrar o Gênesis. Adão e Eva, Caim, Abel, Noé, Abraão, Sara, Jacó e José são os personagens mais retratados em pinturas e esculturas. Agora, no século XXI, aquele que é considerado o maior quadrinista do planeta resolveu realizar uma versão em quadrinhos com o texto integral da obra. Durante mais quatro anos, Crumb se dedicou a um estudo profundo nas pesquisas mais atuais a respeito do texto bíblico, à iconografia clássica e num material fotográfico imenso da chamada Terra Santa. O resultado é uma obra monumental, já saudada como o livro do ano. A Sagrada Escritura permaneceu intacta e foi enriquecida graças à detalhada e épica adaptação gráfica. Foi dada uma rigorosa e precisa atenção ao detalhe histórico para que surgisse algo convincente e autêntico. Neste livro, os principais personagens adquirem fisionomias. Desde que lançou sua revista Zap Comix nas ruas de San Francisco, durante o chamado verão do amor de 1967, Robert Crumb é considerado o pai fundador dos quadrinhos underground 


Confira os descontos da Livraria Elefante
  • Editora: Companhia das Letras
    Preço: R$ 36
    Editora: Conrad
    Preço de Capa: R$ 49,90
                           

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Wagner Homem

Autor de “História de Canções – Chico Buarque”, 3º lugar dos mais vendidos, fala sobre o livro, política, Chico, “causos” e projetos futuros; Confira a entrevista exclusiva ao ONNE
por Mirella Fonzar e Solange Fonzar, redação ONNE
 
Wagner Homem, autor do livro Histórias de Canções – Chico Buarque, nem parece estar ocupando os primeiros lugares nas listas dos livros mais vendidos de não ficção dos principais jornais e revistas do país. Acessível e simpático, o autor nos encontrou no Conjunto Nacional, em São Paulo, para uma conversa agradável de final de tarde. Durante a entrevista, atendeu um telefonema da editora com a notícia que estava em 3º lugar na lista da revista Veja dos mais vendidos da semana. Disse que não esperava, pediu licença para ligar pra casa e contar a novidade. Tranquilo, sorridente e cheio de histórias para contar, Homem passou algumas horas conosco falando sobre o livro, política, “causos” e projetos futuros. Nem ele percebeu, mas a mesa ao lado comia em silêncio para ouvir o que ele dizia. Saímos de lá com gosto de quero mais, e entendemos porque ele é amigo de Chico Buarque, Toquinho e de todo mundo. Confira a entrevista exclusiva de Wagner Homem ao ONNE. 
     
(Foto: Mirella Fonzar)

ONNE - Como você conheceu Chico Buarque?
Wagner Homem - O Chico pessoalmente eu vi pela primeira vez, fora em shows, num lançamento de um livro dele chamado "A Bordo do Rui Barbosa". Um livrinho de poemas ilustrado pelo Vallandro Keating, amigo de faculdade dele. Acho que foi a única vez que o Chico fez uma noite de autógrafos. Foi no café Piu-piu, no Bexiga, na capital paulista, em 1982. Eu me lembro que aquilo era um horror de gente. Imagine com Chico lá dentro? Bom, eu sei que eu fui. Mas, a única coisa que vi do Chico foi a "mãozona" dele. Uma mão imensa. Ai, em 1989 quando a Companhia das Letras foi fazer o primeiro songbook do Chico, chamado Chico Buarque - Letra e Música, eu fui o responsável por organizar as letras. Eu descobri que tinha muito material, até coisas que já eram raras. Depois quando fui indicado para fazer esse livro, eu o conheci pessoalmente. O Chico é uma pessoa doce, não tem nada de tímido como dizem. Ele é reservado, é diferente.

ONNE - O Chico e alguns amigos te conhecem como Cachorrão. Qual a história do apelido?
WH -
É um apelido de natação. Há muito tempo eu era nadador, muito medíocre pra te falar a verdade. E numa determinada prova eu estava em terceiro lugar e se eu chegasse numa posição melhor toda a equipe seria campeã. Um companheiro de equipe, o Pardão, hoje médico em São José do Rio Preto, corria na beira da piscina e falava: Vai cachorrão, vai! Assim ganhei a prova e a equipe foi campeã. O apelido pegou de uma maneira brutal. Ele era mestre de colocar apelido. Quando vim pra São Paulo, um amigo acabou divulgando e hoje todo mundo me conhece como Cachorrão. É um orgulho ter esse apelido, o Jair Rodrigues também é chamado de Cachorrão.

ONNE - Como você caiu na internet e começou a fazer o site do Chico?
WH -
Sou de Catanduva, interior de São Paulo, sai de lá com 17 anos. Vim para São Paulo fazer teatro, mas não deu certo por que não tinha “bolso”. Os atores na época morriam de fome. Fiz faculdade de Administração de Empresas e fui conhecer direito a informática quando trabalhei como Analista de Sistemas num banco. Comecei a gostar da informática voltada ao usuário final. Bom, foi assim que cai na grande rede. É como cair na vida, né? Coitado, caiu na informática. (Risos). Enfim, 10 anos se passaram, quando já existia internet, eu propus ao Chico fazer o site dele. Ele topou, eu fiz, e de lá pra cá, eu administro esse site. É um trabalho meio incessante, você não para. Todo dia você descobre uma coisa nova. Embora o Chico não produza mais tanto, descubro muita coisa antiga, que não sabia.

ONNE - E hoje, você se considera um jornalista, um administrador ou um analista de sistemas?
WH -
Você faz cada pergunta difícil... (risos). Hoje eu sou um escritor. Escrevi um livro, tenho propostas de continuar essa coleção, Histórias de Canções.

ONNE - Então podemos esperar o próximo História de Canções de quem? Maria Bethânia?
WH -
Apesar de fazer o site da Maria Bethânia, a única pessoa com quem falei até o momento foi o Toquinho. Ainda não tem nada certo, mas já conversamos. Ele não se opôs. O Toquinho é um personagem legal, pois ao lado vem histórias de Vinicius também. Claro que Vinicius morreu há muito tempo e Toquinho tem uma carreira, continua produzindo, mas, eles tiveram 11 anos de sucesso e acumulam centenas de músicas e histórias. Algumas mentirosas, mas sendo boa, tá bom, não é? (risos).

ONNE - Como surgiu a idéia de lançar um livro sobre as histórias de canções?
WH -
Na verdade, ao trabalhar com o site eu fui acumulando e desenvolvendo essa percepção que as pessoas tinham curiosidade e se interessavam por essas histórias. Além disso, eu mesmo ia descobrindo novas histórias e ficava admirado com elas. Ai um dia eu disse, “tá na hora de reunir esse material”. Falei com o Pascoal Soto, que é o editor da Leya. A Leya é o maior grupo editorial de língua portuguesa do mundo. E ao se instalar no Brasil pretende se tornar uma referência nas publicações de língua portuguesa. Ai, falei com o Pascoal, ele adorou a ideia, falei com o Chico, ele topou imediatamente, mas sempre com aquelas condições. “Tudo bem, só que eu não posso trabalhar.” Ai eu respondi, “algum trabalho você vai ter que ter”. Quando propus isso ao Chico, em agosto do ano passado, ele ainda estava escrevendo o Leite Derramado. Só em fevereiro mandei o livro pra ele. Li no jornal que ele havia terminado o livro e que estava em fase de revisão. Mandei, achei que ele iria demorar, mas semanas depois, ele leu, respondeu, fez algumas observações.

ONNE - Alguma coisa foi censurada?
WH -
Absolutamente nada. Achei que ele fosse censurar algumas histórias, mas não.

ONNE - Qual a história mais curiosa para você?
WH -
Eu gosto de uma em especial. Meu Caro Barão é uma música infantil feita pro filme Saltimbancos Trapalhões. No filme, os trapalhões são faxineiros do circo. O barão, o dono do circo, foge com o dinheiro, e os saltimbancos acham uma maquina de escrever, e resolvem escrever uma carta para ele. Então a música é meio onomatopéica, com o barulho da máquina de escrever. Os saltimbancos não sabiam usar nem a máquina, nem o português corretamente. Então o genial da música é quando o Chico revela que eles não sabem acentuar, nem achar o acento na máquina, e tira o acento de algumas palavras, em geral proparoxítonas para rimar com paroxítonas... “Onde quer que esteja / Meu caro Barão / São Brás o proteja / O santo dos ladrão.” E por aí vai. Genial. Vale a pena ouvir. Ai um dia o Chico me liga e fala, “ta com o livro ai na mão? Vai à página tal” e era a página do Meu Caro Barão. Ele perguntou, “quem colocou acento na música?” (risos) O revisor! Eu fico imaginando o revisor chegando em casa e falando pra mulher: “Aquele Chico Buarque deve ser um analfabeto”. (risos)

ONNE - Grande parte das histórias do livro se concentra na época da ditadura militar brasileira. Você acha que a censura acentuava a criatividade do Chico? 
WH -
Não. Censura não faz bem pra ninguém, nunca. O que ocorre é que as pessoas eram obrigadas a lutar contra o sistema de alguma maneira. Mas, em hipótese alguma ela estimula a criação. Ela estimula artifícios, para liberar a criação. Evidente que alguns se saíram muito bem. Mas a censura não tem nada a ver com criação. Jamais. A censura é ruim sempre.

ONNE - Você acha que teve alguma mudança na obra do Chico após a queda da ditadura?
WH -
Eu acho que sim. Eu acho que ele se livrou, ou tenta se livrar até hoje, dessa marca de ser um paladino, um representante. Não, ele era um cara que trabalhava e queria trabalhar, quando pisaram no seu calo, ele começou a chiar. Mas, na verdade o Chico mesmo diz que a única música de protesto dele é Apesar de Você. As outras não são de protesto.

ONNE - “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.”, esse amanhã tão esperado por artistas como Chico Buarque chegou? 
WH -
Acho que sim, estamos próximos. Nos últimos anos, depois da redemocratização, goste ou não goste deste ou daquele presidente, o Brasil evoluiu. A gente entrou numa democracia de fato, tirando as palhaçadas é claro. Desse ponto de vista não há o que negar, a gente está num regime democrático. Felizmente, todo mundo produz, todo mundo protesta, todo mundo cresce. Não tenho dúvidas que melhoramos. Se é o ideal? Claro que não. Mas, acho que o Brasil melhorou muito. Ainda não é o outro dia completo, mas se não floresceu, está florescendo.

ONNE - Você acha que a democracia mudou o sentido de ideologia política do brasileiro?
WH -
Eu acho que hoje as pessoas são menos politizadas ou são politizadas de uma outra maneira. Naquela época era muito fácil fazer política, você era assim ou era “assado”. Hoje esse binômio não existe mais. Quando você está num pluripartidarismo tem de tudo, tanto na política, como na música, no teatro... Então, acho que hoje você vive um mundo mais plural, mais cheio de alternativas, mais segmentado. A gente que ainda não descobriu como analisar essa politização.  

ONNE - E você, na época de estudante participou de algum movimento?
WH -
Agora a gente pode falar, né? (risos). Fui militante, fui líder estudantil, secundarista, mas nunca fui filiado a nenhum partido. Eu me lembro que no dia que decretaram o AI 5, 13 de dezembro de 1968, eu estava chegando a Salvador para um congresso de UBES (União Brasileira dos estudantes secundaristas), congresso que, evidentemente, não houve por causa do AI 5. Eu passei 3 dias escondido numa casa, que por sorte era de uma mulher da Polícia Civil. E eu morria de medo, mas ela avisou pra ficarmos tranquilos. Enfim, não fui preso. Mas tive amigos presos, amigos mortos... Tudo que um cidadão de 58 anos pode ter passado naquela época.

ONNE - O que você acha da música e da literatura de hoje? Existe um novo Chico Buarque ou Vinícius de Moraes?
WH -
Primeiro, eu não sei se o mundo precisa de um novo Vinicius, um novo Chico. Lá atrás eles eram novidades. E o mundo precisa de novidades. Não sei se há lugar para um novo Vinicius ou Chico. Mas, certamente está rolando como sempre rolou. Gente boa, gente nova. Só não me pergunte quem, que eu não saberia te dizer. Uma coisa que me chamou muita atenção foi acompanhar a Gal, num show aberto em Jundiaí (SP). O show era só Bossa Nova. E eu ficava olhando pra platéia que misturava gente velha, gente nova, meia idade, e todo mundo cantava. Algo, que toca tão pouco em rádio, não sei é um milagre da música brasileira.

ONNE - Quais são suas referências musicais e literárias, além do Chico?
WH -
Na literatura? Machado de Assis. Dos novos? João Ubaldo, Jorge Amado. Gosto muito de um cara pouco conhecido, Carmo Bernardes, um escritor brasileiro que escreve sobre o interior de Goiás. Era um defensor ardoroso da fauna e da flora brasileira, principalmente do cerrado.

ONNE - O que você achou da última produção cinematográfica baseada na obra Budapeste de Chico Buarque? Achou a adaptação fiel?
WH -
Para mim é muito complicado falar de qualquer coisa do Chico. Eu sou suspeito. Mas gostei bastante. É claro que não podemos comparar o livro com o filme. Na verdade nunca. Nem com o Chico, nem com livro nenhum. São duas artes distintas, a literatura tem outra abordagem. É outra viagem. Na literatura você viaja sozinho, o cara que escreve é só um condutor. Mas, as imagens você cria. No cinema, você tem a mão do diretor para te guiar. Eu gostei de Budapeste, achei um filme bonito.

ONNE - E sobre Leite Derramado, será outra obra prima da literatura brasileira?
WH -
Se não entrar é por que os caras são muito burros! (Risos) Pra mim já entrou. Olha, Leite Derramado eu li umas três vezes seguidas. Uma das vezes eu disse, “eu ainda vou pegar um erro nesse trem aqui”. Não peguei nada! Pelo contrário, descobria coisas maravilhosas, o uso das palavras, tudo.

Matérias Relacionadas

Desvendando Chico

  

    sábado, 24 de outubro de 2009

    Desvendando Chico

    por Solange Fonzar

    Curador do site de Chico Buarque lança biografia sobre o músico*

    *Este post foi publicado originalmente no MSN ONNE - estilo de vida 

     

    Já está nas livrarias, pela editora Leya, o livro “Histórias de Canções: Chico Buarque” do autor Wagner Homem - curador do site oficial de Chico Buarque, que durante anos recebeu milhares de perguntas e comentários de fãs sobre as curiosas letras do compositor brasileiro.
    “Quem foi Beatriz? E Carolina? Para quem foi feita essa ou aquela canção?” Essas e mais perguntas são respondidas pelo autor, que conta uma centena de histórias divididas por períodos distintos, além de narrar fatos inéditos sobre os parceiros envolvidos nas músicas de Chico. Para os fãs é de fato mais uma forma de se sentirem perto do ídolo de olhos azuis. 
    Chico Buarque dispensa comentários. É um grande artista e mesmo para quem não é fã, ele é um grande personagem. Dono de um talento excepcional, o músico, escritor e poeta faz parte da história brasileira. Para quem se interessa em conhecer um pouco mais sobre o artista, vale a pena conferir essa e algumas das outras obras biográficas e autorais. Veja! 
             
    (Capa: Divulgação)

    Histórias de Canções – Chico Buarque
    Autor:
    Wagner Homem
    Wagner Homem é o editor responsável pelo site do Chico Buarque. Além disso, é amigo do Chico há anos. Desde então, coleciona as histórias das canções de um dos maiores compositores da MPB. Neste livro, o jornalista nos conta com detalhes esses causos que os admiradores do cantor querem tanto saber, e assim formando uma biografia do Chico – algo diferente do que existe nas prateleiras das livrarias. Sua proximidade com Chico nos presenteia com informações curiosas e interessantes, como essa, sobre a música “Com açúcar e com afeto”: “É a primeira canção em que Chico assume a posição feminina, revelando a capacidade que se tornaria uma das suas marcas registradas. Foi composta por encomenda de Nara Leão, que gostava muito de cantar músicas ‘onde a mulher fica em casa chorosa, e o marido na rua, farreando’.”
          
    (Capa: Divulgação)

    Leite Derramado
    Autor:
    Chico Buarque
    No livro Leite Derramado, de 2009, o personagem Eulálio está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. A fala desarticulada do ancião cria dúvidas e suspenses que prendem o leitor. O discurso da personagem parece espontâneo, mas o escritor domina com mão firme as associações livres, as falsidades e os não ditos, de modo que o leitor possa ler as entrelinhas. Percorre todo o livro a paixão mal vivida e mal compreendida do narrador por uma mulher. 
           
    (Capa: Divulgação)

    A Imagem do Som de Chico Buarque
    Organização:
    Felipe Taborda

    O livro A Imagem do Som de Chico Buarque é segunda publicação decorrente do projeto A Imagem do Som, que homenageia os principais compositores brasileiros através de criações de artistas. São artistas contemporâneos de diversas áreas como: artes plásticas, cinema, fotografia, design, quadrinhos, etc. No volume sobre o Chico Buarque podemos conferir a leitura de 80 canções através de Daniela Thomas, Jaguar, Arnaldo Antunes, Cildo Meireles, Mario Cravo Neto, Adriana Varejão, Guto Lacaz, entre outros. A organização é do designer gráfico Felipe Taborda. Fazem parte desta coleção os títulos (em ordem de lançamento): Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Tom Jobim, Rock-Pop brasileiro Dorival Caymmi, Música Popular Brasileira e Samba.  
    Histórias de Canções – Chico Buarque
    Editora: Leya
    Preço:
    R$ 44,90



    Leite Derramado
    Editora:
    Companhia das Letras

    Preço: R$ 36,00


    A Imagem do Som de Chico Buarque
    Editora:
    Francisco Alves

    Preço: R$ 63,00