por Solange Fonzar, colunista ONNE
Robert Crumb e José Saramago fazem releituras do Velho Testamento*
*Este post foi publicado originalmente no MSN ONNE - estilo de vida
Foram lançados, no mês de outubro, dois livros que tratam do mesmo tema: O Antigo Testamento. De autores distintos, com quase nada em comum, os lançamentos abriram uma vasta discussão sobre religião. Qualquer que seja a visão dos autores, a Bíblia é um livro aberto para várias interpretações e reflexões e leituras novas sempre geram questionamentos e debates.
O livro Caim, de José Saramago, mal foi para as livrarias e já é alvo de várias críticas. Não é a primeira vez que isso acontece, o mesmo ocorreu com O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), romance em que o autor mostra um Cristo bastante humano, e foi alvo de muitas acusações. Saramago, o primeiro prêmio Nobel de Literatura da língua portuguesa (1998), é ateu mas admite que Deus é um tema que o atrai. Declarou no lançamento de Caim, que sem a Bíblia seríamos pessoas melhores. As opiniões do escritor sobre religião e política são muito polêmicas e ele já recebeu acusações de vários segmentos.
O livro Caim, de José Saramago, mal foi para as livrarias e já é alvo de várias críticas. Não é a primeira vez que isso acontece, o mesmo ocorreu com O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), romance em que o autor mostra um Cristo bastante humano, e foi alvo de muitas acusações. Saramago, o primeiro prêmio Nobel de Literatura da língua portuguesa (1998), é ateu mas admite que Deus é um tema que o atrai. Declarou no lançamento de Caim, que sem a Bíblia seríamos pessoas melhores. As opiniões do escritor sobre religião e política são muito polêmicas e ele já recebeu acusações de vários segmentos.
Mais reservado, Robert Crumb afirma que em seu novo livro, Gênesis, manteve palavra por palavra do antigo testamento. Só ilustrou. Ele nem precisa ser polêmico para gerar curiosidade. Crumb é ilustrador, um dos fundadores do movimento underground dos quadrinhos e "pai" de Mr. Natural – personagem sátira dos gurus espirituais da década de 1960 – e de Fritz the Cat – personagem com aparência antropomórfica, que abusa do sexo e das drogas. Começou sua carreira ilustrando a Zap Comix, uma revista artesanal dos anos sessenta parecida com o fanzine de hoje. O artista não nega Deus, acredita em algo superior, mas não acha que a Bíblia sirva como um manual de boa conduta. Pediu para colocar um aviso na capa do livro: Recomendada a supervisão de um adulto para crianças. O livro não é um gibi.
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Autor: José Saramago
Neste novo romance, José Saramago reconta episódios bíblicos do Velho Testamento sob o ponto de vista de Caim, que, depois de assassinar seu irmão Abel, trava um incomum acordo com Deus e parte numa jornada que o levará do jardim do Éden aos mais recônditos confins da criação. Conforme o leitor acompanha uma guerra secular, e involuntária, entre criador e criatura, Saramago percorre cidades decadentes, estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha. No trajeto, a narrativa passa por episódios bíblicos conhecidos, mas sob uma perspectiva inteiramente diferente. Saramago recria também seus principais protagonistas, dando a eles uma roupagem complexa e irônica. A volta aos temas religiosos serve, também, para destacar o que há de moderno e surpreendente na prosa do autor: aqui, a capacidade de tornar nova uma história que conhecemos de cabo a rabo, revelando com mordacidade o que se esconde nas frestas das antigas lendas.
Neste novo romance, José Saramago reconta episódios bíblicos do Velho Testamento sob o ponto de vista de Caim, que, depois de assassinar seu irmão Abel, trava um incomum acordo com Deus e parte numa jornada que o levará do jardim do Éden aos mais recônditos confins da criação. Conforme o leitor acompanha uma guerra secular, e involuntária, entre criador e criatura, Saramago percorre cidades decadentes, estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha. No trajeto, a narrativa passa por episódios bíblicos conhecidos, mas sob uma perspectiva inteiramente diferente. Saramago recria também seus principais protagonistas, dando a eles uma roupagem complexa e irônica. A volta aos temas religiosos serve, também, para destacar o que há de moderno e surpreendente na prosa do autor: aqui, a capacidade de tornar nova uma história que conhecemos de cabo a rabo, revelando com mordacidade o que se esconde nas frestas das antigas lendas.
(Capa: Divulgação) |
Autor: Robert Crumb
Ao longo dos séculos, diversos grandes artistas se dedicaram a ilustrar o Gênesis. Adão e Eva, Caim, Abel, Noé, Abraão, Sara, Jacó e José são os personagens mais retratados em pinturas e esculturas. Agora, no século XXI, aquele que é considerado o maior quadrinista do planeta resolveu realizar uma versão em quadrinhos com o texto integral da obra. Durante mais quatro anos, Crumb se dedicou a um estudo profundo nas pesquisas mais atuais a respeito do texto bíblico, à iconografia clássica e num material fotográfico imenso da chamada Terra Santa. O resultado é uma obra monumental, já saudada como o livro do ano. A Sagrada Escritura permaneceu intacta e foi enriquecida graças à detalhada e épica adaptação gráfica. Foi dada uma rigorosa e precisa atenção ao detalhe histórico para que surgisse algo convincente e autêntico. Neste livro, os principais personagens adquirem fisionomias. Desde que lançou sua revista Zap Comix nas ruas de San Francisco, durante o chamado verão do amor de 1967, Robert Crumb é considerado o pai fundador dos quadrinhos underground
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