por Solange Fonzar
Confira a entrevista exclusiva do ONNE com a socióloga e autora do livro sobre Lina Bo Bardi, arquiteta que projetou o MASP em São Paulo*
*Este post foi publicado originalmente no MSN ONNE - estilo de vida
| Capa do livro. (Foto: Divulgação) |
A socióloga Silvana Rubino, professora doutora do Departamento de História da Unicamp, irá lançar o livro Lina Por Escrito, que reúne textos da arquiteta Lina Bo Bardi – responsável pelos emblemáticos projetos do MASP e SESC Pompeia, em São Paulo, e do Museu de Arte Moderna na Bahia.
A publicação, que será lançada oficialmente em agosto num evento no próprio MASP, é a primeira dedicada aos textos de Lina Bo Bardi e promete revelar como a arquiteta ítalo-brasileira traduziu seu universo criativo em palavras. Publicados originalmente em revistas como as italianas Lo Stile, Grazia, Domus e A - Cultura della Vita, os 33 artigos reunidos propõem novos conceitos para temas como habitação, mobiliário, arte popular, museologia, restauro, educação e políticas culturais.
Além de reunir os textos, a autora Silvana Rubino aplicou desenhos originais, fotografias e obras gráficas da própria arquiteta, incluindo alguns layouts empregados em suas publicações. Segundo a socióloga, seu livro traduz um pouco desta mulher que foi peça-chave na constituição de um olhar moderno sobre a cultura, tanto na Itália como no Brasil. Confira a entrevista exclusiva do ONNE com a autora Silvana Rubino.
ONNE - Quais outros livros você publicou? Fale um pouco de você.
SR - Por enquanto, publiquei artigos sobre patrimônio, arquitetura, revitalização de áreas urbanas. Sou professora do Departamento de História da Unicamp, e também dou aulas no curso de AU da mesma universidade. Fui conselheira do Condephaat e atualmente pesquiso mulheres arquitetas, engenheiras e designers. Vamos ver se consigo colocar um pouco de luz na obra dessas profissionais.
ONNE - Como surgiu a ideia do livro sobre Lina Bo Bardi?
SR - A ideia partiu de uma conversa minha com a Cris Fino, que era a editora de arquitetura da Cosac & Naify. Eu tinha feito um doutorado sobre a Lina e pensava em editar, mas teria de mexer no texto (ainda não editei, mas pretendo). Conversando com a Cris, nos demos conta de que havia uma lacuna, um livro com textos de uma arquiteta que escreveu muito, que tinha na escrita uma parte importante do seu trabalho. Nesse momento a arquiteta Marina Grinover veio somar-se à dupla e o resultado foi muito bom.
ONNE - Tudo o que a arquiteta publicou faz parte deste livro? Qual o seu texto preferido?
SR - Fiz uma seleção de uns poucos textos e fui aumentando. Em algum momento pensamos em publicar tudo, mas depois vimos que haviam textos repetidos e fechamos a seleção em 33. Por isso, fizemos uma seleção que abrangesse diversos temas. Meu texto preferido é a aula que ela deu na Bahia em 1958, pois foi o que começou a me ajudar a entender de fato o trabalho e as posturas públicas da Lina.
ONNE - Fale um pouco mais sobre Lina.
SR - Lina era uma arquiteta italiana, formada em Roma, que fez sua carreira praticamente no Brasil. Projetou muito, mas não construiu tanto assim. Mas seus projetos são tão emblemáticos! Você imagina a Paulista sem o MASP? Nem eu e nem ninguém. E além de projetar, ela fez cenário, museologia, ilustração, editou revistas, escreveu textos. Era radical em suas posturas, firme. E, nunca é demais lembrar, uma presença feminina numa profissão tão masculina como a arquitetura.
ONNE - O livro traz as polêmicas tão famosas da arquiteta?
SR - Sim, traz. Isso é um aspecto bem legal. Nele temos Lina se posicionando em relação à cultura brasileira, preservação, arquitetura moderna etc. E muitos desses posicionamentos são polêmicos, mas não só. Podem ser generosos, includentes, propositivos.
| Lina na sala da Casa de Vidro, 1952. (Foto: Divulgação) |
ONNE - Por que dizem que este livro é uma homenagem para a Lina?
SR - Não sei. Talvez porque a melhor homenagem que podemos fazer a uma figura pública é mostrar seu trabalho. Pelo menos eu vejo assim.
SR - Não sei. Talvez porque a melhor homenagem que podemos fazer a uma figura pública é mostrar seu trabalho. Pelo menos eu vejo assim.
| Lina Bo Bardi, 1947. (Foto: Divulgação) |
ONNE - Indicaria este livro para ser lido por leigos? Por quê?
SR - Sim, pois ela fala pro Brasil que ela conheceu, não apenas pra os arquitetos.
ONNE - Quais livros você indica sobre ela, para ver e para ler?
SR - Além do meu é claro, o livro editado por Marcelo Ferraz, Lina Bo Bardi (editora Imprensa Oficial, R$ 140), e Cidadela da Liberdade (edição instituto Lina Bo Bardi, R$ 52), que é sobre um dos projetos mais lindos, o SESC Pompéia.
LINA POR ESCRITO (208 páginas)
Organização: Silvana Rubino e Marina Grinover
Editora: Cosac Naif
Preço Sugerido: R$ 59
Evento de lançamento
MASP - São Paulo / SP
25 de agosto às 19h30
Debate: Marcelo Carvalho Ferraz, Guilherme Wisnik e Silvana Rubino
Nenhum comentário:
Postar um comentário