quinta-feira, 4 de março de 2010

Veríssimo

por Solange Fonzar, colunista ONNE

Escritor lança o romance Os Espiões

Um dos escritores mais populares e respeitados do país, Luis Fernando Veríssimo lançou em dezembro de 2009 “Os Espiões”, o primeiro romance que ele pode chamar de seu. Explico: todos os seus romances anteriores, de narrativas longas, como “O Jardim do Diabo”, “O Clube dos Anjos”, “Borges e os Orangotangos Eternos”, “O Opositor” e “A Décima Segunda Noite” foram encomendados por editoras. Sua nova criação saiu pelo selo Alfaguara, da Editora Objetiva, que além de publicar seus últimos romances, tem reeditado a sua obra como cronista e contista. Confira essa e outras duas obras do autor na nossa pequena seleção abaixo e comemore o carnaval em clima de festa. 

(Capa: Divulgação)

Os Espiões
Neste livro, Luis Fernando Veríssimo constrói uma alegoria de mitologia, humor e mistério. Ainda se curando da ressaca do final de semana, o funcionário de uma pequena editora recebe um envelope branco, endereçado com letras de mãos trêmulas. Dentro, as primeiras páginas de um livro de confissões escrito por uma mulher chamada Ariadne, que promete contar sua história com um amante secreto e depois se suicidar. Atormentado por sonhos românticos, esse boêmio frustrado com seu casamento, e infeliz no trabalho, decide tomar uma atitude: descobrir quem é Ariadne e, se possível, salvá-la da morte anunciada. Na mitologia grega, ela ajuda Teseu a sair do labirinto. No entanto, Veríssimo cria uma Ariadne ao contrário, que vai enfeitiçando o protagonista e seus amigos de bar, os deliciosos e risíveis espiões deste livro. 
    
(Capa: Divulgação)

Comédias Brasileiras de Verão

Nesta compilação de crônicas, Veríssimo leva todo seu humor cirúrgico do cotidiano às férias da classe média, período em que afloram as neuras, implicâncias e sentimentos mais arraigados neste grupo, objeto preferido de análise do gênio gaúcho. O autor coloca uma lupa sobre o dia a dia da classe média nacional, quando ela sai de férias e afloram seus desejos e obsessões. Ao analisar as ambiguidades humanas, o gaúcho, com seu olhar bem-humorado, revela as fraquezas nossas de cada dia. O resultado é um raio X crítico, mas muito divertido, da família brasileira. Tímido, o autor só parece descontraído na capa dos seus livros. Tudo que ele não fala, todas as observações que não faz em público, porém, formam a matéria dos seus textos impagáveis, que retratam existências deliciosamente banais, marcadas por paixões e ódios, vícios e extravagâncias.
   
(Capa: Divulgação)
 
Orgias
Se civilização é autocontrole, orgia é a festa do excesso. Bem, existem orgias e orgias - e é desses vários patamares de prazer e tentações que Veríssimo fala neste livro. A chegada do reveillon e a sucessão de festas de fim de ano são orgiásticas a seu modo, quando revertem a posição que normalmente todos ocupam, nos escritórios, para se encenarem como festas em que é preciso desreprimir, festejar, de igual para igual, o ano que se foi e o que virá - quando evidentemente seremos melhores, marcaremos a ida ao dentista e vamos parar de fumar. Bebida, dança, comida - com fartura. Acontece assim também no carnaval, em que a troca do dia pela noite é apenas um indício a mais de uma certa loucura coletiva, uma inversão de papéis e sinais.    
   
SERVIÇO

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